"O consumidor não está mais somente na TV, mas sim em outras mídias em busca de conteúdo". Foi com esse discurso que o presidente da Unica, Roberto Eckersdorff, abriu o primeiro Mídia C@fé, realizado nesta terça-feira, na Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro. O evento trouxe profissionais da área de mídia de várias agências de propaganda e clientes globais para debater tendências da publicidade interativa na era digital. O comportamento do consumidor neste contexto também recebeu relevância na discussão e o resultado foram previsões e críticas sobre a comunicação como um todo.Patrícia Barbieri foi uma delas a arriscar. A diretora de Mídia da LOreal Brasil é contundente ao afirmar a necessidade de real integração nas agências, não apenas no discurso. "As agências tradicionais estão ficando para trás. Falta a Mídia trabalhar diretamente com a Criação, principalmente na área online". As críticas não se restringem apenas à estratégia interna. Patrícia cobra maior impacto das mensagens junto ao consumidor. "Vejo muita coisa na Internet e me pergunto qual o real objetivo daquilo. Precisamos falar de igual para igual com nosso público. Devemos focar melhor e entender o consumidor para ser mais eficaz", completa.O digital ganhou abrangência e incluiu a classe C como importante ponto no debate. Os convidados, em sua grande maioria, confirmaram a definitiva entrada deste público como consumidor de tecnologia e, conseqüentemente, da propaganda veiculada nestes meios. Ou seja, a convergência das mídias tem oferecido novas possibilidades para a mira das agências. "Temos que utilizar os variados meios para chegar a esse público. A classe C tem o mesmo interesse e conhecimento que A e B e está acessando cada vez mais a Internet e antenada nas ferramentas de tecnologia", diz Adriana Knackfuss, responsável pela Mídia Online da Coca-Cola.Avanço para o digitalO maior acesso dos usuários a outras mídias já é inclusive anunciado por pesquisas. Dados comprovam que o consumo de audiência se dispersa cada vez mais. Em 2007, segundo o Ibope, entre os meses de janeiro e outubro, a queda média de audiência da TV aberta foi de um ponto. Os investimentos também começam a migrar para o virtual. De acordo com relatório publicado pelo Projeto Inter-Meios, referente ao primeiro semestre do ano, o montante publicitário aplicado na Web cresceu 40% em comparação com 2006. Já a publicidade na TV aberta, registrou queda de 6,2%.Ainda no cenário digital, o celular foi apontado como um dos principais aliados neste processo de convergência. Na opinião de Flávio Cordeiro, sócio da Binder/FC +M, o meio é um dos que melhor traduz a revolução pela qual a mídia passa atualmente. "Estamos saindo do conceito de broadcasting e entrando no modelo multicasting". Em linhas gerais, isso quer dizer que, sobretudo, haverá mais possibilidade de interatividade com o consumidor, ao contrário do modelo adotado pela comunicação tradicional como TV ou rádio. É a presença também do conteúdo colaborativo em relação direta com os clientes e a publicidade.A chegada da TV digital também foi ressaltada pelos profissionais. Entretanto, a maioria mostrou incerteza quanto às possibilidades que o novo meio tem a proporcionar. "Ainda não sabemos muita coisa. A tal interatividade e outras opções serão conhecidas daqui a um bom tempo", prevê a diretora de Mídia da NBS, Erica Campbell.A reação do mídiaO futuro da atividade do profissional de Mídia não escapou da conversa. Foi unânime a opinião dos debatedores sobre a revisão de conceitos e idéias diante das novidades propostas pela tecnologia. "Se o mídia não reagir, está fadado à era glacial. A comunicação integrada não perdoa quem não se atualiza nos processos de comunicação", endossou o sócio da Binder. Há planos de expandir o Mídia C@fé para outras capitais do país. Segundo a Unica, organizadora do evento, o próximo deve acontecer em São Paulo, em janeiro de 2008.
Marcelo Gripa - Especial do Rio de Janeiro
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